New York, NY

A doença Lúpus: o que é e principais sintomas

O que é a doença Lúpus?

O lúpus eritematoso sistémico é uma doença autoimune, na qual os anticorpos atacam tecidos e órgãos saudáveis, com um amplo espectro de manifestações clínicas, e bastante diferenciadas de pessoa para pessoa. Há uma variação mundial na incidência e prevalência da doença lúpus, mas alguns estudos apontam para taxas de prevalência em todo o mundo que variam de 20 a 70 por 100.000 indivíduos. Além disto, parece existir uma tendência de crescimento da prevalência da doença lúpus ao longo dos últimos anos. Estima-se que em Portugal existam cerca de 4 mil casos da doença Lúpus. O Lúpus pode afetar todas as faixas etárias, porém o pico de incidência é em adultos de meia idade, com 90% dos casos a serem diagnosticados em mulheres.

O que é uma doença autoimune?

Num corpo com uma doença autoimune, o sistema imunitário desorienta-se e ataca o próprio corpo e os órgãos que deveria proteger. O sistema imunitário tem como função a proteção do nosso corpo, atacando microrganismos estranhos que de alguma forma nos podem prejudicar. No entanto, sem se perceber bem porquê, nas doenças autoimunes este ataque é descontrolado e pode acontecer a diferentes tecidos ou órgãos, e em diferentes tipos de gravidade. O Lúpus é uma dessas doenças.

Quais são as causas da doença lúpus?  

A causa do Lúpus permanece ainda desconhecida, mas parece resultar da complexa interação entre fatores genéticos, hormonais e ambientais. Existem no entanto alguns fatores que podem causar o aumento dos sintomas da doença Lúpus:

  • Exposição solar prolongada e/ou nos picos de maior calor;
  • Emoções fortes;
  • Níveis de stress elevado;
  • Alguns alimentos ou uma alimentação não saudável;
  • Sedentarismo ou exercício físico em excesso;
  • Incumprimento do tratamento médico prescrito.

Como é realizado o diagnóstico da doença lúpus?

O diagnóstico da doença Lúpus é realizado através da junção da opinião do médico, a partir dos relatos do doente e de análises de sangue e urina. Mas como o Lúpus possui um padrão heterogéneo de manifestação clínica e, para facilitar a definição do que é Lúpus e do que não é, principalmente para fins de investigação, o American College of Rheumatology (ACR), em 1997, e mais recentemente em 2012 a Systemic Lupus International Collaborating Clinics (SLICC) desenvolveram cada uma um conjunto de critérios de classificação para a doença Lúpus. Estas classificações são baseadas numa lista de itens, que para se classificar como tendo lúpus a pessoa deve reportar um determinado número mínimo de critérios clínicos e de critérios imunológicos demonstrados por análises. 

Quais os principais sintomas da doença lúpus?

Considerada uma das doenças autoimunes mais comuns em mulheres em idade fértil, o Lúpus tem um curso variável, pode afetar quase todos os tecidos ou órgãos, e a sua gravidade pode variar de leve a potencialmente fatal.

Os sintomas do Lúpus mais prevalentes são manifestações sistêmicas (por exemplo, fadiga e febre), músculo-esqueléticas (por exemplo, artralgias, deformidades das mãos), cutâneas (por exemplo, erupção cutânea malar, fotossensibilidade) e hematológicas (por exemplo, anemia e leucopenia). Mas também manifestações neurológicas, cardiopulmonares e renais têm prevalências acima de 50%. Manifestações menos prevalentes são gastrointestinais, trombose e oculares.

Os pacientes com Lúpus têm um maior risco de desenvolver cancro, doenças cardiovasculares, renais, hepáticas, reumatológicas e neurológicas, além de depressão, anemia e psoríase. É por isso muito importante a adoção de um estilo de vida saudável que inclua o cuidado da saúde física, mental e social.

Como se desenvolve a doença lúpus?

Foram identificados três padrões principais do desenvolvimento da doença Lúpus. O mais comum é a remissão recidivante, ou seja, o desenvolvimento da doença acontece por picos, caracterizada por crises e períodos de remissão (quando o lúpus está inativo e a pessoa quase não sente sintomas). Menos comum é o desenvolvimento do lúpus de forma crónica ativa, ou seja, sem períodos de remissão. E a forma mais rara são períodos de remissão prolongada, no entanto, existem vários casos em que a remissão prolongada é possível, através da manutenção de alguns tratamentos conjugados com um estilo de vida saudável, como é o meu caso. Saiba mais sobre a minha história com o a doença Lúpus.

Assim, se está num período em que a sua doença está ativa é muito provável que em breve consiga a remissão e termine esse ciclo de sintomas mais graves. A manutenção da remissão pode ser feita através de alguns comportamentos que a vão ajudar a manter a doença Lúpus controlada.

Como controlar a doença Lúpus?

O lúpus não tem cura, no entanto é possível viver durante vários anos com o lúpus em remissão, ou seja, sem sintomas ativos. O tratamento mais comum é através de medicação que deve ser receitada por um médico, geralmente reumatologista e revista caso a caso.

As taxas de não adesão ao tratamento são substanciais e significativas no Lúpus, com a percentagem de pacientes que não aderem à medicação variando de 43 a 75%. E por isso é uma área que necessita intervenção e de sensibilização porque é muito importante cumprir o tratamento estipulado.

Existem ainda assim fatores que estão sob o nosso controlo e que são muito importantes no controlo dos sintomas da doença lúpus e no controlo do desenvolvimento de outras doença associadas:

  1. alimentação saudável;
  2. manutenção de uma vida ativa;
  3. evitar a exposição solar prolongada e nos picos de calor;
  4. não fumar e não consumir álcool em excesso;
  5. evitar anti contracetivos hormonais;
  6. evitar grandes níveis de stress e emoções fortes/negativas.

Depois de conhecer mais sobre o Lúpus o próximo passo é aceitar o seu diagnóstico e adaptar-se à vida com o mesmo, pois o lúpus não tem cura mas é possível viver com qualidade de vida mesmo com Lúpus.

Espero que tenha gostado deste artigo sobre a doença Lúpus, veja abaixo outros artigos relacionados e pode seguir o meu trabalho diariamente através do instagram.

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